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Souls of Mischief - Montezuma's Revenge

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Se vocês acham que só o blog estava parado, precisando de atualizações, estão enganados. Acho que eu também estava precisando me atualizar em termos de lançamentos. No final de 2009, um dos melhores grupos de rap dos anos 90, o Souls of Mischief, lançou o albúm "Montezuma's Revenge" e eu só fiquei sabendo ontem, durante a session de skate com os amigos das antigas.
Acabei de conseguir o disco e já dei duas ouvidas antes de postá-lo aqui no blog e minhas conclusões foram: É o Souls of Mischief!
Se o disco de estréia, "93 'til infinity" soa como se tivesse sido produzido ontem, o disco "Montezuma's Revenge" poderia muito bem ter sido produzido em 1993, pois o quarteto de Oakland sabe como fazer música atemporal. As caixas bem secas e o baixo bem marcado são características marcantes do grupo, que sempre flertou com o jazz, o funk e outras ramificações da música negra. Apesar da mudança perceptível no timbre de voz dos Mc's, efeitos de mais de uma década de rap, o flow agora mais maduro, faz com que o disco tenha uma atmosféra totalmente adulta. É rap para quem é do rap, sem apelo comercial ou canções com refrão para cantar junto, é seco, sujo e firme. É o Souls of Mischief do coletivo Hierogliphycs. Preciso dizer mais alguma coisa?

Aproveitem!

Dan le sac vs. Scroobius pip - Angles

domingo, 20 de setembro de 2009
Combinando poesia, batidas eletrônicas, misturas a outras referências que vão do Punk à Motown. A dupla Dan le sac vs Scroobius pip, lançou em 2008 o seu primeiro disco completo, "Angles", após o lançamento de 3 EPs. A dupla se conheceu no colégio, mas só começaram a compor músicas juntos mais ou menos em 2006, quando David Meads (a.k.a Scroobius pip) levou algumas idéias de spoken word, para que Dan Stephens (a.k.a Dan le sac) pudesse remixar.
O som da dupla é definitivamente diferenciado, pois a viagem musical tem raízes no Hip Hop, mas as referência são inúmeras, o que transforma o disco em um trabalho extremamente original, com samplers surpreendentes e e letras inteligentíssimas. É complexo e ao mesmo tempo dançante, é político sem ser militante e com certeza vai agradar aqueles que gostam do experimentalismo inteligente e elegante, mas não dispensam uma boa festa.

Aproveitem!

Ammoncontact - With Voices

segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Ammoncontact é o projeto de dois produtores musicais, Carlos Niño e Fabian Ammon Alston, nativos de Los Angeles, começaram a trabalhar juntos em 2001 lançando a coletânea "Dublab presents: Freeways". Fazem parte de uma cena musical que vem crescendo nos últimos anos, que alguns chamam de Left-Field Hip Hop, que dá mais ênfase aos beats produzidos e muitas vezes se localiza na linha tênue que separa o rap da música eletrônica. A procura pela batida perfeita, se sobressai a rima, que muitas vezes nem existe.
Neste disco de 2006 você vai encontrar músicas atmosféricas e reflexivas que beiram o trip-hop, e em outros momentos toda a crueza das batidas mais duras do Rap. O que mais se destaca, é que pela primeira vez a dupla contou com colaborações como Daedelus, Abstract Rude, Lil Sci, entre outros. A dupla habilmente se adapta aos diferentes estilos de seus colaboradores, seja no baixo marcado do quase spoken word "A zillion tambourines" ou no rap mais tradicional de "Drum Riders", tudo é feito com extrema sofisticação. Para aqueles que reclamam da falta de experimentalismo e inovação no Hip Hop, ai está a prova que vocês estão enganados!

Aproveitem!

Saul Williams - Saul Williams

quinta-feira, 12 de março de 2009
Se estabeleceu no cenário artístico norte-americano como poeta, e fazia principalmente apresentações de spoken word. Também fez alguns trabalhos como ator e roteirista. Mas sua aparição triunfante se deu como MC, mas primeiramente sem usar rimas como outros fazem, mas sim, musicando as suas poesias spoken word. Saul Williams tem como principal tema de suas canções o questionamento: "como é ser negro nos Estados Unidos?" Com críticas pertinentes, um flow mais melódico do que rimado e com músicas intensas e atmosféricas, Saul já trabalhou com KRS-ONE, Rick Rubin, Zack de la Rocha e atualmente seu último albúm "The inevitable rise and liberations of Niggy Tardust", no qual ele incorpora um personagem negro (David Bowie do gueto) e conta um pouco da vida deste, que se confunde com a vida do próprio Saul Williams, foi produzido por Trent Reznor do Nine Inch Nails.
Neste disco postado que é de 2004, o destaque são as músicas: "List of Demands", "Black Stacey" e "Surrender (a second think)". É essencial acompanhar as letras do poeta e prestar atenção nas sacadas super inteligentes.

Aproveitem!

Immortal Technique - Revolutionary - Vol.2

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Nascido em um hospital militar no Peru em 1978, Immortal Technique (Felipe Coronel) mudou-se para o Harlem com os pais quando tinha 2 anos de idade. Começou a se envolver com a cultura Hip-Hop aos 9 anos e na adolescência era o que podemos chamar de "garoto problema" e mesmo sendo aceito na Penn State University, Tech acabou sendo preso e cumpriu pena de um ano. O que para muitos seria apenas uma fase negativa da vida, para Immortal Technique serviu como um grande aprendizado, pois foi na prisão que ele começou a estudar sobre a imigração de latinos para os Estados Unidos da América e também as biografias e ideias de grandes revolucionários como Ernesto "Che" Guevara, Malcolm X, Símon Bolivar, etc. E foram estes estudos que o incentivaram a escrever e encarar o Hip-Hop de uma forma política.
Com uma habilidade incrível com as palavras, estilo agressivo e rimas provocativas, como por exemplo:

"They say the rebels in Iraq still fight for Saddam
But that's bullshit, I'll show you why it's totally wrong
Cuz if another country invaded the hood tonight
It'd be warfare through Harlem, and Washington Heights
I wouldn't be fightin' for Bush or White America's dream
I'd be fightin' for my people's survival and self-esteem"

Este disco é o segundo da discografia de Tech e na minha opinião é um dos mais maduro e bem produzidos. É ideal que se ouça esse disco acompanhando as letras (Se você fala inglês é claro) para entender as sacadas na acidez das rimas de Immortal Technique.

Aproveitem!